quinta-feira, 4 de junho de 2009


O Banheiro


Millôr Fernandes

"Quem aumenta seu conhecimento aumenta a sua dor"(Eclesiastes, I, 18)
Não é o lar o último recesso do homem civilizado, sua última fuga, o derradeiro recanto em que pode esconder suas mágoas e dores. Não é o lar o castelo do homem. O castelo do homem é seu banheiro. Num mundo atribulado, numa época convulsa, numa sociedade desgovernada, numa família dissolvida ou dissoluta só o banheiro é um recanto livre, só essa dependência da casa e do mundo dá ao homem um hausto de tranqüilidade. É ali que ele sonha suas derradeiras filosofias e seus moribundos cálculos de paz e sossego. Outrora, em outras eras do mundo, havia jardins livres, particulares e públicos, onde o homem podia se entregar à sua meditação e à sua prece. Desapareceram os jardins particulares, pois o homem passou a viver montado em lajes, tendo como ilusão de floresta duas ou três plantas enlatadas que não são bastante grandes para ocultar seu corpo da fúria destrutiva da proximidade forçada de outros homens. Não encontrando mais as imensidões das praças romanas que lhe davam um sentido de solidão, não tendo mais os desertos, hoje saneados, irrigados e povoados, faltando-lhe as grutas dos companheiros de Chico de Assis, onde era possível refletir e ponderar, concluir e amadurecer, o homem foi recuando, desesperou e só obteve um instante de calma no dia em que de novo descobriu seu santuário dentro de sua própria casa — o banheiro. Se não lhe batem à porta outros homens (pois um lar por definição é composto de mulher, marido, filho, filha e um outro parente, próximo ou remoto, todos com suas necessidades físicas e morais) ele, ali e só ali, por alguns instantes, se oculta, se introspecciona, se reflete, se calcula e julga. Está só consigo mesmo, tudo é segredo, ninguém o interroga, pressiona, compele, tenta, sugere, assalta, Aqui é que o chefe da casa, à altura dos quarenta anos, olha os cabelos grisalhos, os claros da fronte, e reflete, sem testemunhas nem cúmplices, sobre os objetivos negativos da existência que o estão conduzindo — embora altamente bem sucedido na vida prática — a essa lenta degradação física. Examina com calma sua fisionomia, põe-se de perfil, verifica o grau de sua obesidade, reflete sobre vãs glórias passadas e decide encerrar definitivamente suas pretensões sentimentais, ânsia cada vez maior e mais constante num mundo encharcado de instabilidade. É nesse mesmo banheiro que o filho de vinte anos examina a vaidade de seus músculos, vê que deve trabalhar um pouco mais seus peitorais, ensaia seu sorriso de canto de boca, fica com um olhar sério e profundo que pretende usar mais tarde naquela senhora mais velha do que ele mas ainda cheia de encantos e promessas. É aqui que a filha de 17 anos vem ler a carta secreta que recebeu do primo, cujos sentimentos são insuspeitados pelo resto da família. Já leu a carta antes, em vários lugares, mas aqui tem o tempo e a solidão necessários para degustá-la e suspirá-la. É aqui também que ela vem verificar certo detalhe físico que foi comentado na rua, quando passava por um grupo de operários de obras, comentário que na hora ela ouviu com um misto de horror e desprezo. É aqui que a dona de casa, a mãe de família, um tanto consumida pelos anos, vem chorar silenciosamente, no dia em que descobre ou suspeita de uma infidelidade, erro ou intenção insensata da parte do marido, filho, filha, irmãos. Aqui ninguém a surpreenderá, pode amargurar-se até aos soluços e sair, depois de alguns momentos, pronta e tranqüila, com a alma lavada e o rosto idem, para enfrentar sorridente os outros misteriosos e distantes seres que vivem no mesmo lar.
Não há, em suma, quem não tenha jamais feito uma careta equívoca no espelho do banheiro nem existe ninguém que nunca tenha tido um pensamento genial ao sentir sobre seu corpo o primeiro jato de água fria. Aqui temos a paz para a autocrítica, a nudez necessária para o frustrado sentimento de que nossos corpos não foram feitos para a ambição de nossas almas, aqui entramos sujos e saímos limpos, aqui nos melhoramos o pouco que nos é dado melhorar, saímos mais frescos, mais puros, mais bem dispostos. O banheiro é o que resta de indevassável para a alma e o corpo do homem e queira Deus que Le Corbusier ou Niemeyer não pensem em fazê-lo também de vidro, numa adaptação total ao espírito de uma humanidade cada vez mais gregária, sem o necessário e apaixonante sentimento de solidão ocasional. Aqui, neste palco em que somos os únicos atores e espectadores, neste templo que serve ao mesmo tempo ao deus do narcisismo e ao da humildade, é que a civilização hodierna encontrará sua máxima expressão, seu último espelho — que é o propriamente dito.
Xantipa, que diabo, me joga essa toalha!
"Minha especialidade e meu orgulho: sou o maior leigo do país."(O Autor)
Millôr Fernandes, ou Emmanuel Vão Gôgo, nosso grande humorista, pensador, chargista, tradutor, escritor, teatrólogo, jornalista, pintor, é figura indispensável quando se fala de inteligência nacional. O texto acima extraímos de "Lições de um ignorante", José Álvaro Editor - Rio de Janeiro, 1967, pág. 17.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Mulher andando nua pela casa

Mulher andando nua pela casaenvolve a gente de tamanha paz.
Não é nudez datada, provocante.
É um andar vestida de nudez,inocência de irmã e copo d’água.
O corpo nem sequer é percebidopelo ritmo que o leva.

Transitam curvas em estado de pureza,dando este nome à vida: castidade.
Pêlos que fascinavam não perturbam.

Seios, nádegas (tácito armistício)repousam de guerra.
Também eu repouso.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

FHC no Inferno

FHC morre e vai para o inferno. Como castigo, fica dentro de um imenso tanque de bosta, atolado até o queixo. Ele olha para o lado e vê o Lula, dentro do mesmo tanque, com a bosta pela cintura. Fica irritado, chama o capeta e reclama:

— Tenha dó! Eu criei o real, mantive a inflação baixa, ninguém nunca conseguiu provar nada contra mim e estou aqui, quase afogado, enquanto o Lula que estava envolvido naquele bruta esquema do mensalão, sanguessugas e mais... E ele aí numa boa?

O capeta, fica uma fera, olha para o Lula e grita:

— Lula, eu já falei mil vezes para você parar de pisar na cabeça do Maluf!
Fofoca!

- Mariazinha analise a frase, há uma mulher olhando pela janela, é singular ou plural?
- Singular.
- Muito bem! Agora você Joãozinho, Há várias mulheres olhando pela janela, o que é?
- Fofoca!!!
Os 3 amigos

Tinha 3 amigos: o Calaboca, o pum e o respeito.
O Pum foi preso e o calaboca e o Respeito foram lá na delegacia, soltar ele.
Chegando lá o Calaboca entrou e o Respeito ficou na rua.
O delegado perguntou:
- Qual o seu nome?
- Calaboca!
-Cadê o respeito?
- Ficou lá na rua!
- E o que que tu veio fazer aqui?
- Vim soltar o Pum!

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Resumo
De citaçao

DIAS DE SOMBRA

Começo pelas sombras. O Brasil vive grandes violencias urbanas a todo momento. Quando pensó que a violencia nao pode piorar, acontece uma tragedia como a de Joao Helio. Criamos uma sociedade monstruosa, na qual crianças matam crianças, sem se dar conta da imoralidade do que fazem.
No assassinato de Joao Helio, o adolescente que cometeu o crime diz nao saber o que a perda de um filho, pois nunca teve um, assim percebemos que ele nao sabe o que é amar e ser amado por uma familia e amigos. Ao ser privado desta experiencia, nao aprendeu a conhecer a distinçao do justificavel e do injustificavel ou a infinita responsabilidade pelo outro.
É nosso dever ético ensinar ou fazer com que todos tenham consciencia do que seja crueldade. Caso contrario grandes tragedias continuaram acontecendo. Renato Janine Ribeiro mostrou o barro que todos somos feitos no seu comentario sobre o assunto, assim havendo inumeras contestaçoes, umas aceitaveis outras nao .
Nos académicos temos uma vaidade que nos faz tropeça na propria ingnorancia. Nos falamos em publico o que sentimos levando em conta a razao. Crime como ou sem justiça nao ha salvaçao. Quem criou o justo e o injusto? Nao sabemos, portanto estamos sendo justo com a vitima eo algoz? Sendo assim como decidir o que é mais justo no caso de Joao Helio? Pode-se ficar dos dois lados? Ou deve-se escolher um? Nao é atoa que Hannah Arendt diz que a crimes sem perdao, pois quem deveria perdoa muitas vezes ja estao mortos. Ele o assassino de Joao Helio é um sobrevivente social a quem foi sonegada a vida do próximo, por isso creio e defendo para julga-lo com indulgencia.
Um exemplo de crimes cometidos por empresarios é matar seus empregados de exaustao física. Outro exemplo aconteceu no documentario de Joao Jardim, ``pro dia nascer feliz´´ em que uma garota diz: ``sao dois mundos separados´´ e a outra diz: ``o pior é que nao sao dois mundos separados, é um so ´´.
Nos somos um so mundo, um so povo. Que nao deve permitir que continuem acontecendo mortes de inocentes, como a de Joao Helio, pois estas seram lembradas como días de sombras que antecedem os días de luz.

Jurandir Freire costa
Comentario:
O gigoló das palavras - Luis Fernando Veríssimo


Segundo este, ``escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo ´´ ; ``a gramática é o esqueleto da língua. Só predomina nas línguas mortas ´´;`` a gramática é a estrutura da língua mas sozinha não diz nada, não tem futuro ´´ e ``a gramática precisa apanhar todos os dias pra saber quem é que manda ´´. Estes são os períodos que achei de maior importância, ai diz tudo. Nos muitas vezes nos fazemos escravos da gramática, quando na verdade nos que temos o poder, de mandar nelas. Quantas vezes, eu deixei de fazer um texto com medo de errar a gramática? Inúmeras vezes. Agora vejo que posso escrever bem e claro, sem saber gramática, o fato de escrever uma palavra errada, não implica em dizer que meu texto, não esta claro. O texto ``o probrema e cerio´´ de Léo Jaime, prova tudo que Luis Fernando Verissimo diz, que apesar do texto estar totalmente errado de acordo com a ``norma culta´´ , é bem claro e compreensível.